Maria Clara Fraga Lopes
Olá,
Bem vindos ao "Sou aprendiz"
Criamos esse blog com o objetivo de auxiliar os futuros pedagogos, que assim como nós, têm duvidas e questionamentos sobre os diversos assuntos ligados a prática pedagógica.
Esperamos dividir nossas experiências, enriquecendo nossos conhecimentos...
Então... fiquem a vontade, afinal, somos todos aprendizes em busca de conhecimento continuo.Não saia sem nos deixar um recadinho!!!
Abraços.
Temos uma mensagem para você:
"contribuição da amiga: Jenifer"
Podemos fazer a diferença... EDUCAÇÃO
A professora Teresa conta que no seu primeiro dia de aulas parou em frente aos seus alunos do 5º ano e, como todos os demais professores, disse-lhes que gostava de todos por igual.
No entanto, ela sabia que isto era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado um rapaz chamado Ricardo.
Ela, aos poucos, notou que ele não se dava bem com os colegas da classe e muitas vezes as suas roupas estavam sujas e cheiravam mal. Houve até momentos em que ela sentia um certo prazer em dar-lhe notas baixas ao corrigir as suas provas e trabalhos.
Ao iniciar o ano lectivo, era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações. Ela deixou a ficha do Ricardo para último. Mas quando a leu foi grande a sua surpresa...
Ficha do 1º ano: “Ricardo é um menino brilhante e simpático. Os seus trabalhos estão sempre em ordem e muito nítidos. Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele.”
Ficha do 2º ano: “Ricardo é um aluno excelente e muito querido dos seus colegas, mas tem estado preocupado com a sua mãe que está com uma doença grave e desenganada pelos médicos. A vida no seu lar deve estar a ser muito difícil.”
Ficha do 3º ano: “A morte da sua mãe foi um golpe muito duro para o Ricardo. Ele procura fazer o melhor, mas o seu pai não tem nenhum interesse e depressa a sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo.”
Ficha do 4º ano: “O Ricardo anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aulas.”
Ela deu-se conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada... E ficou pior quando se lembrou dos lindos presentes de Natal que ela recebera dos alunos, com papéis coloridos, excepto o do Ricardo, que estava enrolado num papel de supermercado.
Lembrou-se que abriu o pacote com tristeza, enquanto as outras crianças se riam ao ver que era uma pulseira à qual faltavam algumas pedras e um frasco de perfume pela metade.
Apesar das piadas ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão.
Naquela ocasião Ricardo ficou um pouco mais de tempo na escola do que o costume. Relembrou-se, ainda, que ele lhe disse: - A senhora está perfumada como a minha mãe!
E, naquele dia, depois de todos se irem embora, a professora chorou durante bastante tempo... De seguida, decidiu mudar a sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente ao Ricardo.
Com o passar do tempo ela notou que o rapaz só melhorava. E quanto mais ela lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava. Ao finalizar o ano letivo, o Ricardo foi o melhor da classe.
Seis anos depois, recebeu uma carta do Ricardo contando que havia concluído o secundário e que ela continuava a ser a melhor professora que tivera.
As notícias repetiram-se até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Ricardo Stoddard, o seu antigo aluno, mais conhecido como Ricardo. Mas a história não terminou aqui...
Tempos depois recebeu o convite de casamento e a notificação do falecimento do pai de Ricardo. Ela aceitou o convite e no dia do casamento usou a pulseira que recebeu do Ricardo anos antes, e também o perfume.
Quando os dois se encontraram, abraçaram-se longamente e Ricardo disse-lhe ao ouvido: “Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer a diferença.”
E com os olhos banhados em lágrimas sussurrou: “Engano teu! Depois que te conheci aprendi a lecionar e a ouvir os apelos silenciosos que ecoam na alma do educando.
Mais do que avaliar as provas e dar notas, o importante é ensinar com amor mostrando que é sempre possível fazer a diferença...” (Autor Desconhecido)
Afinal, o que realmente faz a diferença?
É o fazer acontecer, a solidariedade, a compreensão, a ajuda mútua e o amor entre as pessoas... O resto vem por acréscimo... É este o segredo da VIDA. Tudo depende da Pedagogia do Amor.
Contribuição da nossa amiga Nivea:
Celso Antunes
GIZ e BISTURI são instrumentos que
diferem muito.
Um é metálico, outro não. O GIZ tem
duração limitada, enquanto um bom BISTURI pode durar bastante. O GIZ custa
quase nada e por isso quando utilizado, restos não aproveitados são jogados
fora ou se transformam em artefatos de guerras na brincadeira entre alunos, o
BISTURI é caro e seu uso implica em assepsia e cuidado. Não se pode conceber
professor sem GIZ, mesmo em espaços onde se anuncia lousa eletrônica, não se
pode pensar cirurgião sem BISTURI, apesar de toda tecnologia e avanço que
caracteriza um moderno centro cirúrgico.
Mas, GIZ e BISTURI possuem também
alguma analogia.
São apenas instrumentos e nada podem
sem ação e intenção de quem os usa. Um GIZ largado e esquecido na margem da
lousa não serve para quase nada, não ensina ninguém; um BISTURI guardado em seu
belo estojo ou esquecido em mesa cirúrgica não salva paciente, não ajuda a
preservar vida de quem quer que seja. O GIZ sem o professor é quase nada, o
BISTURI distante do cirurgião possui discutível utilidade. O que torna o GIZ
capaz de pensamentos e a ousadia da compreensão e da significação é seu uso
pelo professor, o que torna o BISTURI recurso essencial de salvação e muitas
vezes esperança de preservação de vida é o cirurgião.
É por essa razão que o BISTURI reúne
em sua insensibilidade material o tudo ou o nada, o poder ou a ausência. Por
igual motivo, também o GIZ é recurso mineral que sem o manejo do mestre é peça
inútil ou faz milagres ao sensibilizar razões, determinar esperanças. Um
BISTURI mal usado é um perigo e se transforma em arma, mas não será por acaso
uma arma também o GIZ mal utilizado?
Médicos admiráveis são verdadeiros
santos em sala cirúrgica com BISTURI na mão; mestres essenciais são mágicos
autênticos em sala de aula, segurando o GIZ. Impossível saber qual recurso é
mais importante; mas facilmente comparável sua grandeza quando envolvem
intenções sinceras, propósitos essenciais.
Um grande professor em sala de aula
e manejando seu GIZ é como um médico essencial, em centro cirúrgico, com
BISTURI na mão.

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